Redução de vagas em quatro cursos da universidade foi solicitada pelas coordenações; debate teve ampla manifestação do movimento estudantil
Foi aprovado nesta quinta-feira (3), pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o Quadro de Vagas para o Processo Seletivo 2025/2026 dos cursos de graduação. A votação ocorreu durante Sessão Extraordinária, após divergências em relação à redução de vagas de quatro cursos da universidade.
O Quadro de Vagas, que determina a oferta dos cursos de graduação pelo Vestibular e pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), estava em pauta na sessão do dia 27 de março, para ser votada a redução temporária de vagas nos cursos de Fisioterapia, Enfermagem, Análise e Desenvolvimento de Dados e Secretariado.
A redução foi debatida nos colegiados de cursos e outras instâncias e trazida para o Cepe pelas coordenações. O curso de Fisioterapia alegou quadro docente insuficiente para dar conta das disciplinas e solicitou a redução de metade das vagas, passando de 50 para 25, em caráter temporário.
Já o curso de Enfermagem pediu uma redução para 40 vagas, sob o motivo de que o curso de Licenciatura em Enfermagem foi extinto pelo Ministério da Educação em 2012, e desde 2016 apenas a modalidade bacharelado é oferecida.
O curso de Análise de Desenvolvimento de Sistemas pediu redução temporária de 120 anuais para 95, alegando laboratórios insuficientes para a quantidade de alunos desde a pandemia. Por fim, o curso de Secretariado solicitou a redução de vagas de 50 para 45, afirmando que o curso originalmente ofertava 45 vagas, assim como os outros cursos do Setor de Educação Profissional e Tecnológica (Sept). Porém, por um erro individual cometido no passado, de acordo com a atual coordenação, o curso passou a oferecer as 50 vagas.
Debate e votação
Na sessão do Cepe do dia 27 de março, a conselheira discente Giovana Pasqualin, presidente do Diretório Central dos Estudantes da UFPR (DCE), pediu vista ao processo, com o movimento estudantil se posicionando contra a redução de vagas de todos os cursos solicitantes. Com o pedido, uma Sessão Extraordinária foi solicitada para o dia 3 de abril, a pedido do Núcleo de Concursos, para não comprometer o calendário do Vestibular 2026.
Durante a sessão, membros do movimento estudantil, presentes na Sala do Conselho Universitário, se manifestaram contra a redução de vagas dos cursos, pedindo à Reitoria outras soluções para atender as demandas de falta de professores e infraestrutura. Já os representantes dos cursos envolvidos apresentaram seus argumentos aos conselheiros presentes, relatando os motivos da solicitação de redução das vagas.

A Pró-Reitoria de Graduação e Educação Profissional (Prograp) também se manifestou contrária à redução, e afirmou que realizou um estudo que mostra os impactos orçamentários que esta diminuição causaria à universidade.
Aberta a votação, o Quadro de Vagas sem a redução demandada foi aprovado, com dois votos contrários. Assim, os cursos devem ofertar no Processo Seletivo 2025/2026, considerando Vestibular e Sisu, um total de vagas conforme a relação abaixo:
- Análise e Desenvolvimento de Sistemas – 120 vagas;
- Enfermagem – 60 vagas;
- Fisioterapia – 50 vagas;
- Secretariado – 50 vagas.
Próximos passos
O reitor da UFPR, Marcos Sunye, se manifestou contrário à redução de vagas dos cursos e apresentou no conselho alguma das propostas para resolver os problemas dos cursos que demandaram a diminuição.
“A universidade existe para atender a sociedade. Não faz sentido reduzir as vagas de cursos de alta demanda. Temos que encarar os problemas de infraestrutura e de força de trabalho docente que afetam os cursos. Achamos algumas soluções emergenciais para manter as vagas no vestibular, mas é um desafio da gestão criar as condições para que esta discussão sequer volte aos conselhos no futuro”, disse Sunye.
Representando a Prograp, o professor Altair Pivovar, da Coordenadoria de Políticas e Ações Estratégicas (Copae), comentou sobre as próximas etapas a serem realizadas.
“A partir deste estudo que fizemos sobre o impacto orçamentário, faremos uma reunião com os diretores de setor para ver outras possibilidades de encontrar soluções para minimizar o problema. Resolver agora não dá, porque não é algo do dia para a noite, mas vamos buscar formas de amenizar para evitar esta redução de vagas, justamente por causa deste impacto no orçamento”, explicou.
Com a votação concluída, a conselheira Giovana Pasqualin, responsável pelo pedido de vista, comemorou o resultado do debate e também a participação estudantil na pauta.
“A gente levou para o Conselho de Identidade de Base, que teve um coro muito bom. Os alunos participaram, os centros acadêmicos se organizaram, organizaram moções de repúdio. Foi um momento de muita felicidade para nós do DCE, porque a gente sabe que é a mobilização dos estudantes que garante o acesso, garante a permanência e pertencimento na universidade”, disse.